A Leitura Literária na Escola Pública Potiguar

Por Cláudia Santa Rosa

É com forte sentimento de realização que compartilho, neste espaço, quase a íntegra do texto de apresentação de “A Leitura Literária na Escola Pública Potiguar”, livro que tive o prazer de organizar e que será lançado no final desta manhã. Planejado há mais de dois anos, ele revela parte de uma espécie de bordado, que vem sendo desenhado a partir do segundo semestre de 2007, ao ser iniciado o projeto de formação de professores mediadores de leitura nas escolas, no âmbito da parceria entre o Instituto C&A e a Secretaria de Estado da Educação e da Cultura do Rio Grande do Norte (SEEC), contando com a coordenação técnica do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE). Durante esse tempo, as contribuições ao projeto, dos muitos profissionais talentosos, têm sido tão especiais quanto o trabalho das bordadeiras que entrelaçam linhas para ornar um tecido. Aos poucos, ações coletivas foram enriquecendo o bordado, sobremaneira, numa trama que resultou no projeto da “Rede Potiguar de Escolas Leitoras” e na ampliação das parcerias, em 2010, envolvendo as secretarias de educação dos municípios de Natal e Parnamirim.

Durante esses anos, coordenamos, aproximadamente, 400 horas de formação, realizadas por especialistas em cada temática que foi abordada. Já são 145 escolas participantes, cada uma com o seu projeto de leitura e suas importantes experiências. Para a coletânea, organizada em cinco partes, reunimos o prefácio que foi escrito pelo Diretor Presidente do Instituto C&A, vinte e três textos, cinco documentos, um mapa e uma rica seleção de fotografias, as quais, mais do que ilustrações são conteúdos preciosos que expressam situações de leitura, professores mediadores em atividades e em espaços de formação, além de bibliotecas e salas de leitura ambientadas. Realçamos a importância do texto das “orelhas” do livro ter sido escrito pela Governadora Rosalba Ciarlini, justamente pelo que esse gesto representa para o movimento por uma política pública de promoção da leitura literária nas escolas do Estado do Rio Grande do Norte.

A primeira parte de “A Leitura Literária na Escola Pública Potiguar” discorre sobre o cenário, a proposta do projeto e o diagnóstico inicial, bem como a contribuição da área de comunicação social. Na segunda parte, à exceção do texto “Classificação em cores: uma metodologia inovadora na organização das bibliotecas escolares do município de Rondonópolis-MT”, assinado pela professora Mariza Inês da Silva Pinheiro, os (as) demais autores (as) trabalharam conosco, de forma presencial, nos encontros de formação e seminários e dessas participações decorreram os seus artigos. Na terceira parte, representantes das cinco escolas vencedoras do concurso “Escola de Leitores”, certame promovido pelo Instituto C&A, em parceria, no Estado potiguar, com o IDE e a SEEC, relatam sobre os seus projetos. São escolas que, em agosto de 2010, designaram dois educadores para integrarem uma comitiva composta por cinquenta brasileiros que, durante uma semana, vivenciou um intercâmbio cultural em Bogotá/Colômbia, conhecida como “Capital Mundial das Bibliotecas”. Também participei dessa experiência, oportunidade singular de conhecer bibliotecas excelentes, participar de seminários com renomados especialistas nas áreas de Educação e Leitura, conversas com escritores, bibliotecários e educadores, o que rendeu incontáveis aprendizados e reforçou pelo menos uma certeza: biblioteca não é luxo, mas, sim, um equipamento de fundamental importância para garantirmos o direito de toda população de acesso à cultura escrita.

Diante dessa assertiva e dos êxitos dos projetos premiados, de uma forma ou de outra, o livro que hoje lançamos pretende provocar algumas indagações: Por que será que negligenciamos nos cuidados com as poucas bibliotecas públicas que temos? Por que não espalhamos bibliotecas pelos bairros distantes do centro? Por que será que há tantas escolas sem bibliotecas, sem bons acervos e sem professores que promovam a leitura? Por que secundarizamos o papel da biblioteca escolar, mesmo sabendo que a maioria dos alunos e suas famílias têm limitadas chances de serem consumidores em livrarias e sebos?

Não é por acaso que a quarta parte do livro reúne documentos como a Lei Estadual Nº 9.169, de 15 de janeiro de 2009, que dispõe sobre a política estadual de promoção da leitura literária nas escolas e o “Manifesto por um Rio Grande do Norte de Leitores”. Por fim, a quinta e última disponibiliza o mapeamento dos polos de leitura de Natal e Parnamirim seguido da relação das escolas e bibliotecas com os respectivos endereços. Ao final, uma bibliografia foi organizada para complementar as referências dos artigos.

A nossa expectativa é de que o livro faça sentido para educadores, gestores públicos, parlamentares e quantos tenham interesse de saber sobre o processo de construção de um bonito e delicado bordado social que tem sido elaborado a muitas mãos, tendo em vista um Rio Grande do Norte de Leitores.

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