Pela educação básica do RN

Por Cláudia Santa Rosa

Nos últimos dias tive a oportunidade de colaborar com dois documentos que chegaram aos candidatos ao governo do estado do Rio Grande do Norte: o “Manifesto por um Rio Grande do Norte de Leitores”, do Fórum Potiguar de Escolas Leitoras e a “Carta da Educação”, do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE). Sobre o primeiro, por meio de assinaturas num Termo de Adesão, educadores e instituições envolvidas esperam compromisso dos governadoráveis com uma política pública a ser fortalecida a partir de 2011. Quanto ao segundo, será suficiente se o (a) eleito (a) fizer o que o IDE sugere na própria Carta: “trate a escola básica pública como se fosse a escola do seu filho!”

Desnecessário, pois, ressaltar a minha convicção sobre a pertinência e viabilidade das propostas do Manifesto e da Carta. Faço coro com as muitas vozes que clamam por atitudes e ações dos gestores públicos para que tenhamos uma escola pública de qualidade para todas as crianças, adolescentes e jovens potiguares, forma mais eficiente de fazer frente aos 19,5% da população composta por analfabetos, conforme revelou a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD), recentemente publicada pelo IBGE. É, também, com essa escola decente que o Rio Grande do Norte deixará de ocupar as últimas posições, entre os estados brasileiros, quando apurado o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB).     

Não se promove educação de qualidade com discursos ou programas eventuais. Felizmente uma parte da população já compreendeu que são necessárias políticas de estado, ações continuadas e, portanto, duradouras. Tem sido recorrente receber muitos e-mails de pessoas desencantadas com a escola pública. Porém, gosto mesmo é de receber, ler e responder aqueles de educadores inquietos, diante da necessidade de transformar a escola e o tratamento que a ela é dispensado pelo poder público. O último que acabo de ler confirma uma certeza: sempre há esperança. Por isso mesmo, resolvi partilhá-lo neste texto, resguardando a fonte, mas mantendo os destaques da autora. Vejamos:

“Cara Cláudia, sou Acariense, professora da Rede Pública Municipal (Parnamirim e Natal); no momento estou coordenadora, resido em Parnamirim. Gosto muito do que faço e, sobretudo, acredito na promoção da LEITURA LITERÁRIA como o CAMINHO para uma EDUCAÇÃO de QUALIDADE. Estou participando do Projeto Escola de Leitores, pela Escola Municipal (…), em Natal. Através desse projeto, tive o prazer de estar presente nos dois últimos Fóruns de Leitura, realizados na Assembleia Legislativa; e agora, no 4º Seminário Potiguar Prazer em Ler. Contudo, gostaria de parabenizá-la pelo empenho, o desejo e a garra que tem demonstrado nessa luta por um RN de leitores. Talvez, não imagine os prazeres proporcionados a todos, e a cada um, naqueles dois dias de seminário. Particularmente, fiquei encantada com as experiências literárias vivenciadas nas nossas escolas, com os depoimentos dos (as) escritores (as) visitantes e, em especial, com as nossas escritoras. É incrível, como a palavra (escrita ou oral) tem poder! Viajei no tempo, ouvindo as palavras da Profª Salizete Freire; revivendo, por alguns instantes, a minha infância no interior (Acari). Me senti, meio que, hipnotizada com a leitura das poesias de Marize de Castro e, comovida pela sua emoção incontida, na dor e na delícia de escrever. Enfim, gostaria também de deixar aqui, o meu pensamento a respeito dessa luta pela formação de leitores: ‘Há uma necessidade imensa de implementação de políticas públicas de leitura no RN, não só no âmbito escolar, mas em todos os espaços sociais. E o primeiro deles, é a família!’ Saudações literárias, J S.” A professora J S sabe bem o que diz, pois é leitora e fala do lugar de quem conhece bem a escola, de quem sabe o poder que tem a leitura. Seu depoimento me realimenta. É preciso, sim, formarmos leitores hoje, embalados pela certeza de um futuro com famílias leitoras, num estado leitor. Cara J S, faço minhas as palavras do educador francês Célestin Freinet (1896-1966): “agora já não estamos sós!”      

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