A natureza do conhecimento científico e religioso

Por Thiago Baptistella Cabral

Como professor de ciências, muitas vezes sou surpreendido por alunos com questões e comentários que vão além do currículo oficial. Um dos temas mais freqüentes é o que relaciona ciência e religião, através de afirmações como “Eu sou feito de barro”, ou então “Professor, por que é que a ciência briga com a religião se todo mundo sabe que é a religião que está certa?”. Ninguém discordaria de que cada um deveria ser capaz de realizar escolhas e ser capaz de pensar de maneira própria, todavia isto é algo impossível de se realizar com responsabilidade quando não se conhece sobre o assunto. Provoco: O leitor sabe a diferença entre o conhecimento científico e o conhecimento religioso?

A ciência e as religiões são formas distintas de se conhecer o mundo, utilizando-se de diferentes maneiras e pressupostos para encontrar respostas às suas perguntas. Enquanto o conhecimento religioso se respalda principalmente na fé, o científico se embasa, sobretudo, no empirismo (através de experiências). É verdade que o cientista também se utiliza da fé, ao acreditar na descoberta de leis naturais que regem o universo. Mas é igualmente verdadeiro que, em termos práticos, a fé do cientista acaba por se tornar irrelevante na medida em que as teorias sustentadas  por evidências.

Uma teoria é um conjunto de hipóteses adequadas a fatos. Uma hipótese é um palpite que o cientista faz, com intenção de ser testado, e que busca responder a uma pergunta. Para testar se ela é ou não corroborada pelas evidências, são construídas experiências. Correta ou não, a hipótese, os testes, os resultados e as conclusões são publicados em revistas científicas e lidas por outros cientistas. Estes, por sua vez, podem replicar este e realizar outros testes para confirmar ou não a hipótese. Quanto maior a quantidade de evidências científicas, mais robusta é uma teoria, tais como são, por exemplo, a teoria da gravitação universal e a teoria da evolução. Independentemente de seu vigor, os diferentes campos do conhecimento científico são continuamente postos à prova, agregando novas evidências que podem vir a reforçar ou servir como suporte para derrubar a – ou parte da – teoria [H2] vigente que versa sobre determinado assunto. É por isso que, em se tratando de ciência, nenhum conhecimento pode ser considerado uma verdade absoluta. Além disso, o que não pode ser testado – a existência ou não de deuses, vida após a morte, etc. – [H3] não entra no escopo da ciência.

Por outro lado, o conhecimento religioso admite a existência de dogmas, tais como a virgindade de “Nossa Senhora”, a existência de milagres, Orixás, ou um Deus todo poderoso, digamos, Alá. Dogmas são pontos fundamentais e indiscutíveis de uma crença, e são aceitos, pelos fiéis, como verdade absoluta. Outra característica dos conhecimentos religiosos é a crença em saberes que não podem ser testados nem replicados, provenientes seja de um ser “iluminado”, seja por apenas um ou poucos observadores, tais como os milagres. Assim, as diferentes religiões conseguem responder, cada uma à sua maneira, questões metafísicas. O fato de diversos cientistas serem religiosos pode [H4] explicado através desta separação. De um lado, a ciência e as questões físicas e de outro a religião e as questões metafísicas.

O problema surge quando determinadas pessoas utilizam de uma destas formas de conhecimento para explicar, legitimar ou diminuir a outra. Por exemplo, quando se tenta explicar fenômenos físicos através da metafísica ou da superstição (algo que recebe o nome de pseudociência), como quando afirmava-se que a existência dos trovões se devia ao deus do trovão, Thor, que batia com seu martelo no céu, ou então quando defende-se que somos feitos de barro, ou a descendência humana através de Adão e Eva, a Astrologia, o Tarô, o Design Inteligente, as pulseiras energizadas…

A não ser que exista algum interesse em promover a alienação da população em relação a estes temas [H5] ciência, religião e pseudociência[H6] é necessário que eles sejam tratados de forma mais consistente[H7]  nas aulas de ciências e religião, bem como em sermões realizados por padres, pastores e demais líderes religiosos.


 [H1]são sustentadas… (não?)

 [H2] espaços e traços

 [H3]só um ponto e o traço.

 [H4]Pode ser… (não?)

 [H5]Traço e espaço

 [H6]Traço e espaço

 [H7]Tenho dúvidas se consistente é o melhor termo.  Talvez : de forma mais desprovida de certezas. de uma única verdade, de posições dosadas de fanatismo… idéia nessa linha.

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