O baile de máscaras da educação

Por Frederico Horie da Silva

É uma festa tão tradicional quanto a de São João, na qual a fogueira e os rostos pintados dão lugar aos discursos e às máscaras de faz-de-conta. O baile acontece a cada quatro anos a nível municipal e, com o mesmo intervalo, a nível estadual e federal. Os convidados/candidatos de honra escolhem suas máscaras, que costumam ser três: Saúde, Segurança e Educação – falaremos especificamente da última. Meses antes do baile, temos a divulgação do evento: “A Educação será prioridade em meu governo”, “Construiremos novos centros infantis”, “Abriremos concurso para professores”… Trata-se de um baile luxuoso, no qual os mascarados não descem à pista de dança, deixando que alunos, pais e beneficiados (?) pela escola pública dancem conforme a música por eles tocada.

Não faz muito tempo, o gestor de um município brasileiro, quando da inauguração de um pronto socorro – de fato, uma inauguração é prioridade – disse: – “Um analfabeto sem escola passa mal, mas não morre, agora um doente sem pronto socorro morre”.  Atente-se leitor, para a estreiteza de pensamento do convidado mais ilustre do baile desse município, que não entende que um analfabeto está fadado à morte intelectual quando tem negado o acesso aos bens culturais construídos pela humanidade, quando lhe é negado o direito de conhecer, saber e ser mais.

Na mesma frase, entretanto, podemos compreender a (in)coerência do baile de máscaras: é um evento em que se levanta uma bandeira, pela qual, efetivamente, nada ou muito pouco será feito. É mostrar ao outro algo que você não é e/ou não fará, mas que você precisa que os outros acreditem que irá se concretizar. A metáfora da máscara poderia ser uma questão filosófica, se antes não fosse uma questão de caráter e pobreza política.

Antes de seguirmos, é importante uma ressalva: nem toda eleição é um baile de máscaras, e nem todos os candidatos se enquadram nesta metáfora. A intenção deste artigo é denunciar a histórica e cultural negligência em relação à educação brasileira e a baixa prioridade que tem sido dedicada às questões desta área de maneira geral.

A poucos meses de mais uma eleição a nível nacional e estadual, a conscientização e organização popular, e o consequente controle social, são fatores essenciais para que as máscaras caiam, ou para que nunca cheguem a ser usadas por oportunistas comprometidos com sua carreira política e descomprometidos com a escola pública. Tão importante quanto, é avançarmos nas discussões que vem sendo levantadas e cobradas no âmbito das políticas públicas na área: é preciso, além de um plano nacional de Educação, outros a nível municipal e estadual, independentemente de governo, gestão e partido político. Que sua construção seja democrática, com o estabelecimento de metas palpáveis, mas ao mesmo tempo ambiciosas, tendo como objetivo principal a melhoria da Educação pública. Este é um dos passos que precisamos trilhar a fim de evitar que nossas crianças e jovens continuem a dançar a valsa do fracasso escolar.

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